Política/Religião

As Testemunhas de Jeová e a política

testemunhas de jeová

Por Rodrigo Japa

O povo que bate na nossa porta no fim de semana para falar da bíblia. Essas são as Testemunhas de Jeová.

Considerados por muitos como uma seita as Testemunhas são uma religião fundada no início do século XX por Charles Taze Russel. Tem como base teológica a igreja de Paulo porém tem doutrinas divergentes as da igreja católica. Seu fundador foi criado por pais presbiterianos mas foi na igreja adventista que Russel deu início a sua formação doutrinária.

Uma das doutrinas pitorescas das Testemunhas de Jeová envolvem diretamente a política. Nenhum membro dessa organização pode se envolver com a política, seja ela partidária ou não, sendo que seus adeptos tem por doutrina a anulação dos seus votos. São pautadas pelas palavras de Cristo descritas na bíblia de que o seu “reino não fazia parte desse mundo”.  Entendendo que a autoridade máxima a quem devem responder é a Cristo não se envolvem com governos “humanos” aos quais se colocam como submissas, nunca colaboradoras. Essa posição adotada pelas Testemunhas por muitas vezes é alvo de criticas. Porém as recentes intervenções que políticos ligados a entidades religiosas tem feito colocam em xeque o papel da religião no cenário politico mundial.

Muitas pessoas são eleitas representantes de setores distintos da sociedade. Uns são eleitos por movimentos sociais, por representatividade regional, por popularidade, por segmento religioso, etc. Porém ao serem eleitos esses(as) representantes devem governar ou legislar para todo o conjunto da população. É óbvio que o segmento ao qual pertencem normalmente será a base para seu mandato. O que acontece é que muitas vezes políticos usam seus mandatos para fazerem prevalecer suas doutrinas religiosas. E ai atitudes descriminatórias, conservadoras e retrógradas são justificadas pelas páginas da bíblia.

Igrejas elegerem seus lideres representantes políticos não é ruim. Porém esses líderes usarem seus postos para disseminar conceitos religiosos fere a laicidade do estado e descumpre o real papel de um político eleito. Isso não significa que abster-se totalmente da política, como fazem as Testemunhas de Jeová, seria a atitude correta. Pelo contrário, os que agem dessa maneira se omitem do papel de construção da sociedade. E a omissão dos bons e honestos propicia a dominação daqueles que tratam a política como um mecanismo de acessão financeira e social.

O político tem como principal papel trabalhar para o bom funcionamento do estado. A nossa constituição nos garante direitos universais. Quando uma liderança religiosa se embrenha pelos caminhos da política é fundamental que os papéis sejam separados. Enquanto liderança religiosa o individuo deve manter seus preceitos e doutrinas, guiando sua vida segundo suas convicções. Enquanto político o individuo deve entender que representa um sociedade plural, compostas por diversas convicções e ideologias as quais devem ser respeitadas. Embora não precise compartilhar destas o político deve ter o papel fundamental de garantir o direito das pessoas de as ter.

Não consigo acreditar na laicidade de um estado que adota publicamente uma figura religiosa. Instancias governamentais e políticas deveriam ser neutras quanto a adoção de ídolos ou preceitos. Políticas doutrinárias não deveriam ser adotadas. Mas não é isso que se vê no mundo hoje. A disputa por espaço passa pela necessidade do ser humano de promover sua fé. Guerras foram travadas em nome da igreja. E a maior parte das disputas políticas travadas durante a história tem como pano de fundo conceitos religiosos. Até mesmo os comunistas, tachados como ateus, têm em seu conceito de sociedade uma ideologia contrária a preceitos bíblicos. Defendem um conceito de sociedade que não é o mesmo empregado por povos pré cristãos, povos esses que se organizavam segundo orientações dadas por seus líderes religiosos. O conceito de comunismo só existe porque o modelo padrão de sociedade, com um individuo ou uma classe de indivíduos dominantes, segue preceitos doutrinados por lideres religiosos. As próprias organizações religiosas, com seus padres, pastores, monges, anciãos, etc, que “lideram” ou “coordenam” os demais adeptos, é um exemplo de organização social conservadora e obsoleta.

A eleição do “papa hermano” demonstra o efeito que a religião exerce na sociedade. O estadista Francisco passa a ser uma autoridade mundial, capaz de influenciar inclusive na forma política como países se organizam. Um poder indescritível conferido a um homem que até bem pouco tempo era conhecido apenas pelos adeptos a sua crença (e olha que nem todos o conheciam).

O fato das Testemunhas de Jeová não se envolverem de forma alguma com a política os impossibilita de ajudar a construir um meio social mais propício para a existência humana. Porém ouvi-los “testemunhar” no parlamento ou no senado não seria algo muito agradável. Cabe aos lideres religiosos que insistem em se tornar figuras políticas entenderem que o palco para pregações fundamentalistas é outro, e não a tribuna das câmaras, do congresso e do senado.

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3 pensamentos sobre “As Testemunhas de Jeová e a política

  1. Quando Deus criou o primeiro casal humano, ele se reservou o direito de estabelecer normas do que é certo e do que é errado. (Gênesis 2:16, 17) Adão e Eva queriam ser independentes da orientação de Deus, e isso produziu o mundo que hoje vemos em nossa volta. O apóstolo Paulo disse: “Por intermédio de um só homem entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.” (Romanos 5:12) Os seis mil anos da história humana desde o tempo de Adão demonstraram a veracidade das palavras de Jeremias: “Bem sei, ó Jeová, que não é do homem terreno o seu caminho. Não é do homem que anda o dirigir o seu passo.” (Jeremias 10:23) Admitir que as palavras de Jeremias são verdadeiras não é derrotismo. É realístico. Explica todos esses longos séculos em que “homem tem dominado homem para seu prejuízo”, por terem os humanos governado independentemente de Deus. — Eclesiastes 8:9.
    Em vista da situação da humanidade, as Testemunhas de Jeová se dão conta de que há limites quanto ao que se pode realizar no atual sistema de coisas. Termos uma atitude positiva pode ajudar-nos a preservar a alegria, mas não é a solução de tudo. No começo dos anos 50, um clérigo norte-americano publicou um livro de grande aceitação chamado The Power of Positive Thinking (O Poder do Pensamento Positivo). O livro sugeriu que a maioria dos obstáculos podem ser vencidos quando são enfrentados com uma atitude positiva. Pensar de modo positivo certamente é admirável. Mas a experiência mostra que o conhecimento, a habilidade, os recursos materiais e uma multidão de outros fatores restringem o que nós mesmos podemos realizar. E em escala mundial, os problemas simplesmente são grandes demais para serem solucionados com êxito pelos humanos — não importa quão positivo seja seu modo de pensar!
    Por causa da sua maneira realística de encarar tais assuntos, as Testemunhas de Jeová são às vezes acusadas de ter uma atitude negativa. Em vez disso, elas estão ansiosas de falar às pessoas a respeito do Único que pode melhorar permanentemente a sorte da humanidade. Neste respeito também imitam a atitude mental de Cristo. (Romanos 15:2) E elas atarefam-se em ajudar as pessoas a conseguir um bom relacionamento com Deus. Sabem que, a longo prazo, isto produzirá o maior bem. — Mateus 28:19, 20; 1 Timóteo 4:16.
    As Testemunhas de Jeová não desconsideram os problemas sociais em volta delas — especialmente não as aviltantes práticas antibíblicas. Antes de um interessado tornar-se Testemunha de Jeová, ele faz mudanças, muitas vezes tendo de vencer vícios que desagradam a Deus. (1 Coríntios 6:9-11) As Testemunhas de Jeová têm ajudado assim os dispostos a isso a vencer a embriaguez, o vício de drogas, a imoralidade e a jogatina compulsiva. Essas pessoas que se corrigiram aprenderam a sustentar a família de forma responsável e honesta. (1 Timóteo 5:8) Quando se ajuda assim pessoas e famílias, diminuem os problemas na comunidade, havendo menos viciados em drogas, menos casos de violência na família, e assim por diante. Porque as Testemunhas de Jeová são cidadãos acatadores da lei e por ajudarem outros a mudar de vida para melhor, elas diminuem a carga das agências cujo serviço é resolver problemas sociais.
    Será que as Testemunhas de Jeová mudaram o clima moral no mundo? Ora, na década que passou, o número de Testemunhas ativas aumentou de um pouco menos de 3.800.000 para quase 6.000.000. Este é um aumento de cerca de 2.200.000, sendo que muitas delas abandonaram práticas injustas quando se tornaram cristãos. Muitas vidas melhoraram! Mesmo assim, este número é muito pequeno em comparação com o aumento da população do mundo durante o mesmo período — 875.000.000! As Testemunhas de Jeová têm achado um motivo de alegria ajudar a pessoas receptivas, embora se dêem conta de que poucas dentre a humanidade seguirão o caminho da vida. (Mateus 7:13, 14) Ao passo que as Testemunhas aguardam as mudanças mundiais para melhor, que só Deus pode causar, elas não se envolvem em movimentos seculares de reforma, que muitas vezes começam com boas intenções, mas acabam em desilusão e até em violência. — 2 Pedro 3:13.
    Por seguirem este proceder, as Testemunhas de Jeová demonstram a mesma confiança em Jeová que Jesus tinha enquanto na Terra. Lá no primeiro século, Jesus realizou milagres de cura. (Lucas 6:17-19) Ele até mesmo ressuscitou mortos. (Lucas 7:11-15; 8:49-56) Mas não eliminou o problema da doença, nem derrotou o inimigo, a morte. Sabia que ainda não chegara o tempo devido de Deus para isso. Com as capacidades superiores de homem perfeito, Jesus provavelmente poderia ter feito muito para solucionar graves problemas políticos e sociais. Parece que alguns dos seus contemporâneos queriam que assumisse o poder e agisse assim, mas Jesus recusou fazer isso. Lemos: “Quando os homens viram os sinais que realizava, começaram a dizer: ‘Este é certamente o profeta que havia de vir ao mundo.’ Jesus, portanto, sabendo que estavam para vir e apoderar-se dele para o fazerem rei, retirou-se novamente para o monte, sozinho.” — João 6:14, 15.
    Jesus negou-se a se envolver na política ou em obras puramente sociais, porque sabia que ainda não chegara o tempo para ele assumir o poder régio e realizar obras de cura para todos em toda a parte. Mesmo depois da sua ascensão para a vida espiritual, imortal, nos céus, ele estava disposto a esperar o tempo designado de Jeová antes de agir. (Salmo 110:1; Atos 2:34, 35) No entanto, desde a sua entronização como Rei do Reino de Deus em 1914, ele prossegue “vencendo e para completar a sua vitória”. (Revelação [Apocalipse] 6:2; 12:10) Como nos sentimos gratos de nos sujeitar ao seu reinado, ao passo que outros que afirmam ser cristãos preferem ignorar os ensinos bíblicos a respeito do Reino!

    • Observou, irmão Japa, como é que as Testemunhas de Jeová comentam nos blogues? Este comentário do irmão Tompson não veio dele mesmo. Nada do que ele escreveu é realmente suas palavras ou ideias. Ele simplesmente colou aqui quase que uma revista inteira de A Sentinela.* Mas ele não fez por não ter capacidade de escrever ou de se expressar sozinho, mas é que entre nós funciona assim. Não temos permissão para sequer pensar por nós mesmos, que dirá escrever. Existe um grupo de homens sobre as Testemunhas de Jeová que não nos permite examinar os assuntos sobre a ótica de nosso cérebro e tampouco escrever o que achamos de determinado assunto. Tudo é muito controlado. Eles nos mantém escravizados a somente o que eles acham ser o certo e o errado. Nenhum de nós tem coragem de questionar ou perguntar se as crenças e métodos deles estão corretos ou o que é melhor: se estão de acordo com a Bíblia. Então, por medo de sermos desassociados da congregação, permite-se que estes homens agam como ‘amos da nossa fé’, decidindo os rumos dela e como a expressamos.

      Entretanto, desde 2010 um grupo de irmãos, examinando as escrituras no seu estudo pessoal, descobriu que Jesus não queria que existisse um Corpo de Governantes sobre seus discípulos. Mas os textos que evidenciam isso não são muito mostrados para nós não. Estes estudantes fervorosos da Bíblia passaram a enxergar a necessidade de reentender a Bíblia e, para isso, passaram a publicar muitas postagens no blog delas e, também, iniciaram uma publicação digital – uma revista – e ali publicam as mais novas verdades acerca dos Deuses santos# ali.
      é preciso muita coragem para fazer o que estes cristãos estão fazendo, mas estão protegidos sob o manto do anonimato. Desta forma tomaram providências para que nunca fossem encontrados pelos vigilantes destes Líderes religionistas. Se os pegarem, serão brutalmente desassociado da congregação e, o que é pior, perderão suas famílias – literalmente!

      Assim, como um dos apóstolos Testemunha dos Deuses Santos, estendo um convite ao irmão Japa no sentido de vir juntar-se a nós, examine nossas crenças e, depois disso, com mentalidade aberta, nos ajude neste trabalho grandioso e santo.

      Quanto ao irmão Tompson, dizemos: coragem, irmão. Jesus ‘venceu o mundo’ religionista e tu também poderá fazê-lo. Liberte-se dos homens que te escravizam, mental, moral e espiritualmente.
      Apóstolo TDS

      __________
      * Revista A Sentinela, 1 de setembro de 2000, páginas 11 a 16. Veja aqui: http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/2000642?q=ele+se+reservou+o+direito&p=par,

      # Descobriu-se que a Bíblia fala de muitos Deuses e não de apenas um.

  2. Muito boa sua argumentação, irmão Japa. Só uma observação:

    Nós testemunhas não só não participamos na política, mas acreditamos que mesmo um pequeno empenho em ‘ajudar’ a constuír uma boa base política é ‘fazer parte do mundo dos Satãs’. Segundo nos mandam nossos líderes humanos, não devemos sequer cantar o hino nacional! Eles nos proíbem com ameaças de desassociações. como não queremos ser desassociados, pois isso não é bom, continuamos com medo.

    Mas já as TJ/TDS são crentes livres do medo. Elas seguem unicamente aos Deuses e ao que eles dizem ser certo ou errado nas páginas das Escrituras.

    Apóstolo TDS

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